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Revestimento refratário do forno: tipos de tijolo e vida útil

Revestimento refratário do forno: tipos de tijolo e vida útil
Escrito por: Agico Group Brasil

Revestimento refratário do forno: tipos de tijolo e vida útil

 O refratário para forno de cimento é o revestimento de tijolos que protege a carcaça metálica do forno rotativo do calor da zona de queima, que trabalha com temperaturas próximas de 1.450ºC. 

A vida útil deste revestimento depende da exposição ao choque térmico, ataque químico, abrasão e das condições de montagem, incluindo a qualidade das juntas. Esses são tópicos que a AGICO Cimento vai te explicar melhor agora!

O que o revestimento refratário faz dentro do forno?

O revestimento refratário protege a carcaça do forno contra temperaturas elevadas, ação química e desgaste mecânico, além de ajudar a reduzir a perda de calor para o ambiente.

O forno rotativo de cimento trabalha com diferentes zonas de processo e cada uma impõe condições específicas ao revestimento. 

Na zona de queima, por exemplo, a temperatura é elevada e existe contato com a fase líquida do clínquer. Em outras regiões, predominam mecanismos diferentes de desgaste, como abrasão e variações térmicas.

O consumo de refratários também dá uma dimensão da importância desse material para a indústria. Segundo Duarte, em Fundamentos à tecnologia de refratários (Blucher, 2024), o consumo estimado de refratários no Brasil é de 450 mil toneladas por ano. 

Desse volume, cerca de 40 mil toneladas são destinadas à indústria do cimento, o equivalente a 9% do consumo nacional.

O desempenho do revestimento depende, portanto, de uma combinação entre material, projeto e condições de operação. No caso do cimento, a escolha precisa considerar a região do forno e as características do processo.

Para conhecer outras aplicações e componentes desse equipamento, veja também o conteúdo sobre forno rotativo para cimento.

Tipos de tijolo refratário e onde cada um entra?

O tipo de tijolo refratário é escolhido principalmente de acordo com a química do material processado e as condições de cada região do forno. Nos fornos de cimento, os refratários básicos têm papel importante nas zonas de transição e de queima.

Família

Composição

Onde se aplica

Básicos

MgO, dolomita e magnésia-espinélio

Zonas de transição e queima dos fornos de cimento

Neutros

Alta alumina, com 55% a 85% de Al₂O₃, e corindo, com ≥90%

Regiões com temperaturas elevadas ou variações de composição química

Ácidos

Sílica e materiais sílico-aluminosos

Processos com escória ácida; não são indicados para contato com materiais básicos

Especiais

SiC, mulita, zircônia e SiC ligado a Si₃N₄

Pontos sujeitos a abrasão ou esforços mecânicos específicos

Os tijolos básicos à base de magnésia são adequados ao ambiente químico encontrado no processo de fabricação de cimento. Entre eles, a magnésia-espinélio ganhou espaço nas zonas de transição e queima por apresentar propriedades químicas e termomecânicas adequadas ao trabalho em fornos rotativos de cimento.

Os refratários ácidos, por outro lado, servem como um bom contraexemplo.

Materiais à base de sílica e sílico-aluminosos são utilizados em ambientes com escória ácida e podem sofrer degradação quando entram em contato com materiais de caráter básico.

Tijolo denso x tijolo isolante

O forno pode utilizar um sistema com duas camadas de materiais refratários.

O tijolo denso fica voltado para a face quente, em contato com o ambiente interno do forno, enquanto o material isolante fica atrás dele para reduzir a transferência de calor para a carcaça.

Característica

Tijolo denso

Tijolo isolante

Densidade

2,4 a 3,5 g/cm³

0,7 a 1,5 g/cm³

Porosidade

18% a 25%

Até 60%

Função

Resistir ao ambiente térmico, químico e mecânico

Reduzir a transferência de calor

Posição

Face quente

Camada posterior

O tijolo isolante, também chamado de IFB (Insulating Firebrick), tem estrutura mais porosa e menor densidade. 

Essa característica favorece o isolamento térmico, mas limita sua resistência mecânica. 

Por isso, ele não deve ser tratado como substituto do tijolo denso em regiões sujeitas a contato direto com carga, escória ou esforços mecânicos elevados.

A combinação entre as duas camadas permite trabalhar simultaneamente com resistência na face quente e controle das perdas térmicas na direção da carcaça.

O que encurta a vida útil do refratário?

A vida útil do refratário é afetada principalmente por quatro fatores: choque térmico, ataque químico, abrasão e condições das juntas. 

Eles podem atuar ao mesmo tempo e acelerar o desgaste do revestimento.

  1. Choque térmico: variações bruscas de temperatura provocam tensões no material. A repetição desses ciclos pode gerar trincas e lascamento, conhecido como spalling.

  2. Ataque químico: componentes presentes no processo podem penetrar nos poros do refratário e reagir com sua estrutura. Estudos sobre corrosão de materiais refratários mostram que líquidos podem penetrar por capilaridade em poros muito pequenos, inclusive inferiores a 10 µm, favorecendo mecanismos de dissolução e desgaste.

  3. Abrasão: a movimentação da carga dentro do forno rotativo gera atrito sobre a superfície do revestimento. O desgaste mecânico tende a ser mais relevante em regiões submetidas a contato intenso com o material em processamento.

  4. Juntas: a montagem também interfere no desempenho do revestimento. Juntas muito largas criam regiões mais suscetíveis à erosão e à infiltração. Como referência de montagem, o ideal é trabalhar com juntas finas, de até 2 mm, utilizando peças com precisão dimensional adequada. Juntas acima de 3 mm apresentam maior risco de erosão preferencial.

Por isso, avaliar apenas a composição química do tijolo não basta. O projeto do revestimento e a forma como as peças são instaladas também entram na conta.

Boas práticas para o revestimento durar mais?

A preparação e a manutenção do revestimento começam antes da entrada do forno em operação. A secagem e a cura devem seguir o cronograma definido para o material aplicado, evitando que a presença de vapor comprometa a estrutura durante o aquecimento.

Na montagem, juntas finas e peças com boa precisão dimensional ajudam a reduzir pontos de desgaste. 

A escolha da granulometria e do formato das partículas também interfere no empacotamento do material em aplicações que utilizam massas refratárias.

Depois da entrada em operação, a inspeção termográfica periódica permite acompanhar a evolução de pontos quentes e identificar alterações antes que o desgaste comprometa uma região maior do revestimento.

Para conhecer as opções de revestimento refratário para forno de cimento, consulte os produtos da AGICO e avalie a solução adequada às condições do seu equipamento.

FAQ

1. Quando o revestimento refratário do forno precisa ser substituído?

A troca deve ser considerada quando inspeções identificarem desgaste excessivo, trincas, perda de espessura ou pontos quentes que indiquem redução da proteção da carcaça.

2. Como identificar problemas no revestimento durante a operação?

A inspeção termográfica ajuda a localizar pontos quentes na carcaça. Alterações recorrentes de temperatura podem indicar falhas ou redução da espessura do revestimento.

3. O revestimento refratário pode ser reparado sem trocar todo o forno?

Sim. Dependendo da extensão do desgaste, é possível realizar reparos ou substituir apenas trechos comprometidos. A decisão depende da condição encontrada durante a inspeção.

4. A montagem influencia o desempenho dos tijolos refratários?

Sim. O alinhamento das peças, a precisão dimensional e a qualidade das juntas interferem na estabilidade do revestimento e podem afetar sua resistência ao desgaste.

5. Como escolher o refratário adequado para cada região do forno?

A escolha deve considerar temperatura, composição química do processo, abrasão, choque térmico e características de cada zona do forno. A especificação deve partir das condições reais de operação.

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